domingo, 6 de novembro de 2016

Sobre as coisas, a conotação e a acomodação de regras

Falávamos sobre as leis:

- Então você quer me dizer que nesse livrinho existem regras?
- Sim, regras que devem ser cumpridas.
- E se eu não quiser cumprir?
- Sofrerá uma pena.
- Então são ordens?
- Indiretamente.
- A quem devo tamanha obediência?

(...)

Esta sou eu, aos 25 anos
Falando com outra (que sou) criança adulta
Mora em mim a inocência de 20 anos atrás
É uma menininha ainda sem nome ou noção das coisas
Porque a noção das coisas o mundo ensina
Não existe noção das coisas
Não há denotação na coisa
A coisa é só decorativa
Todas as coisas são cortinas de enfeite para a vista das janelas dos olhos dos outros.
Você não olha para coisa alguma
Sem que tenham dito para você que aquela coisa é alguma outra coisa que já tem nome e sentido.

(...)

- Mas e se eu quiser dar outro sentido nas coisas?
Aí, menina, te aconselho nascer de novo.
- Será que isso é possível?
- Vou contar um segredo: há um ventre novo a cada passo seu. Pensar é fértil; ser é o parto.

E assim nasço de novo desnuda pra vida.