domingo, 8 de novembro de 2015

Conversa de bar

Sabe esse copo d'água ? Está assim, metade cheio, metade vazio, já há tantas horas que nem vi o tempo passar. Nem vi o céu se pintar de rosa, amarelo, vermelho, e de repente entardeceu. As pessoas que estavam à minha volta já não estão mais. Parece tudo vazio. Acho que esse lugar fechou. Garçom, espera! Espera, preciso pagar a conta. Garçom, fica com o troco, eu preciso correr e mostrar pra ela tudo isso, não sei como, está escrito nesse guardanapo, é que se eu disser sou capaz de atropelar tudo, vou encher de vírgulas e reticências e já precisa de mais vírgulas e estou engasgando e desse jeito vou sorrindo à toa prendendo o olhar na parede como se fosse um quadro mas não de natureza morta natureza viva bem viva feito as cores da íris e repletas de arco íris dos olhinhos dela. Sinto as mãos suando, o copo escorregando ai meu Deus quase cai todo mundo já percebe que eu estou apaixonada e eu acho que isso é intenso demais pra não ser dito agora se a vida é muito curta. Garçom, é curta demais, tão curta que eu nem vi passar o tempo e já nasceu um sentimento e garçom, é ela aqui no telefone, garçom, me ajuda. 
- São setenta e dois reais, eu acho, e eu a amo.
- Setenta e quanto?
- Muito.