terça-feira, 26 de agosto de 2014

Mulheres bonitas e mulheres maravilhosas - a exata diferença de ocupar a sua cabeça ou o seu corpo inteiro

Mulheres são sempre lindas. Há um charme na conotação épica de ser mulher, o sexo doce – é que frágil não parece combinar com o ser capaz de abrigar uma vida. Mas há mulheres bonitas e mulheres maravilhosas. Há o gosto pelo físico atrativo e, para quem tem o paladar mais aguçado, a exata diferença entre a culinária francesa e a feira matinal de um domingo. Mulheres bonitas compreendem a sua beleza e são aptas a dissipá-la de cima do palco – adoram platéia. Mulheres bonitas ficam à espera de um auditório lotado até que cessem os ingressos e parte do público faça o sacrifício de assisti-la em pé. Mulheres maravilhosas compreendem a sua beleza, mas esta fica guardada em uma caixinha como a adolescente que espera debutar para receber a jóia da avó. Mulheres maravilhosas não sobem no palco, mas descem, precisam descer para que possamos observá-las. São o típico espetáculo sonoro, ainda com as cortinas fechadas, porém capazes de entrar feito flauta doce pelos ouvidos e declamar poesias – já posso sentir um frio na barriga e o coração acelerar porque o espetáculo começa. Sim, começa agora: ela chegou. Vocês estão assim: olho no olho – o seu fita, o dela devora. Você come com os olhos; ela petisca, saboreia satisfeita cada pedaço da sua alma na boca quando esboça o primeiro sorriso. É o segundo em que você percebe que mulheres bonitas te olham, mulheres incríveis te possuem. Seus olhos são sutilmente cristalinos como de uma boneca, mas se fixos nos seus são selvagens e capazes de te despir terceiras intenções. Que terceiras intenções? Você não quer nada, nada além de apreciar como brilham seus olhos degustando um vinho tinto sobre a mesa na madrugada, com um fundo de boa música baixinho e discreto. E o que é boa música? A voz mansa e sutil de uma mulher como essa ao pé do ouvido quando do primeiro abraço de despedida, dizendo algo como “Foi bom te ver.” ou “Fique bem.”, provocando imaginações fervorosas com um ar de mistério que mulheres bonitas não sabem, nem chegam aos pés. Uma mulher assim te faz romper todos os sentidos na ponta das unhas, quando esbarram levemente nas costas em um abraço que dura 2 segundos na vida e um século na sua memória. É aquela mulher que te movimenta com um dedo, que te traga feito fumaça para dentro dela e devolve migalhas do que sobra de você no mundo. É capaz de te fazer perder a cabeça sem ter saído da cadeira no jantar, no sutil toque de seus pés como a acariciar sua perna, que faz assim, não por querer. É que você, para ela, tanto faz. Entenda: você não é necessidade, mas se souber guiá-la pela mão e caminhar à sua nobre altura, terá por completa essa mulher de verdade. Mas é preciso saber distinguir dos seus olhos as promessas malucas que você esqueceu de cumprir e o brilho intenso de uma entrega apaixonada – ela nunca fará mais do que isso, nem irá se despir para que não seja esquecida. Se acaso vocês fizerem sexo, será tão oportuno que vocês construirão histórias enquanto ela tece uma teia em sua aura para que dela jamais se esqueça. É aquela mulher que não te desgasta, te consome, e você nunca irá transar com ela, mas com todo o seu corpo, sua alma e cérebro. Sim, ela tem cérebro suficiente para saber que você está mentindo quando diz que é forte e invencível, para apreciar uma leitura de Albert Camus, The New York Times e Fernando Pessoa, e também para fazer um café mais saboroso sem dizer que você não leva jeito na cozinha. Ela é mais do que todas, ela é sábia, culta, gentil, amorosa, sensível, ardente e apaixonada. E para não sair da rotina, é vilã. Ela vai te convencer a abrigá-la nos braços com pantufa de bichinhos quando fizer frio e precisar de colo, mas você vai perder a cabeça quando ela encontrar o canto certo em seu peito decifrando as batidas do seu coração. Ela vai te convencer que é linda ao acordar sem maquiagem quando todas as mulheres do mundo se embelezarem na rua e você sentir falta do seu canto quente na cama. Ela vai falar ao telefone com voz de criança mimada e frágil, mas bater na sua porta como uma fera avassaladora, e te fazer cair mole na cama com o toque de um dedo em sua boca, calando-a quando quiser para assisti-la – você não olha para uma mulher como essa, você contempla. Ela vai ocupar a sua tarde de sexta para escolher um buquê de rosas vermelhas que combine com seu estilo romântico, e algumas sessões de terapia caso precise esquecê-la – se for possível. É que de uma mulher como essa você não esquece. Se fosse bonita talvez até poderia esquecê-la, a beleza passa e se esvai, já essa mulher não, é maravilhosa porque transcende a própria beleza em sentidos aguçados, dança e poesia – não que seja uma artista, há uma mulher maravilhosa por trás de cada mulher de verdade, e chamo de dança o seu andar natural e poesia o seu jeito de perceber a vida. Ela te fará sorrir e agradecer por ter nascido quando o sol te acordar na cama e ela estiver em seus braços, e te fará morrer e nascer de novo quando em uma briga disser “Me esqueça!”. Mas não se preocupe, você sabe que não é verdade. Ela só dará as costas esperando que você lhe traga flores, amores e mimo. E você sabe que esquecer uma mulher assim é impossível. Então, você se vangloria de dominá-la na cama, apesar de estar beijando as suas pernas e a ponta dos seus pés com intensa devoção, enquanto ela gentilmente descruza as pernas e te faz um convite. Você pensou tê-la conquistado até que ela te confesse que já foi capaz de tudo, que até fez alguns otários subirem pelas paredes, mas foi você que ela escolheu para fazer com que ela escalasse as paredes do quarto, seu babaca! Entenda isso enquanto é tempo: uma mulher como essa não pode ser dominada porque não é frágil, é apenas sensível. Você precisa estar ao lado dela, onde ela escolheu que estivesse, e esforçar-se constantemente para que a fila não ande – é que a imensa platéia que admira mulheres bonitas está ali porque não conheceu ou não pôde ter uma mulher maravilhosa. Mas se chegou a sua chance, lembre-se: esteja à sua altura. Saiba deliciar mais a sua mente do que o seu corpo e descobrirá onde ela sente prazer. Tenha tesão na sua alma em vê-la aprontar-se em um jantar romântico e esconder propositalmente o corpo em um vestido comportado. Beba o gosto dela em um beijo e, quando ela finalmente se entregar após terem se conhecido e se curtido tanto (se você estiver realmente à altura dela ou sorte o bastante), saiba corresponder a entrega. Ela saberá o que fazer com você antes mesmo de você pensar no que fazer com ela. Não foi à toa que eu disse ontem, enquanto puxava para trás os seus cabelos, domando-lhe o pescoço, que me pertencia. E respondeu-me assim, com sutileza: “É você que manda, amor...enquanto eu quero.” E coloquei-a embaixo de mim, na cama. E colocou-me embaixo dos sapatos, na vida. E colocamo-nos para dentro do corpo, da alma, do real, do concreto e invisível. E eu sei o que é uma mulher de verdade, mas nunca saberia o que realmente é tê-la, se antes não tivesse aprendido a amá-la, a admirá-la e a compreendê-la após ter decifrado o que há por trás dos seus choros, gestos e carícias, e de escrever assim, ainda me arranca um sorriso envergonhado, a que tento resistir, porque eu achei que fosse forte – e eu sou, mas sendo forte eu descobri que ela é força, e não frágil. Tem o jeito nobre e sutil de acabar com a minha vida e me dar uma nova em troca quando for preciso. Ela é tudo, e resumo assim: maravilhosa.