quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Me leva junto ao que roubou de mim...

Solta devagar as mãos de mim, passeia a pele na minha. Deixa nevar do sol lá fora e aquece o corpo no meu. Tira a roupa, tira a vergonha da cara, tira e perde comigo, perde as estribeiras, o juízo, noção da hora, caminho de volta pra casa e me dá mais, me dá um filho e um lar para ter onde voltar todas as noites, com cama de casal, meia luz de um abajur e me espera por muito tempo - quanto tempo demorei pra chegar? - me espera na cama, com um livro tirado da prateleira, as pernas cruzadas para o desfecho perfeito. Põe os óculos para leitura a se quiser, tanto faz, em tudo você fica linda, vestida, desnuda, rasga meus olhos com sua beleza. Vem comigo pra praia, vamos casar na lua, sela paixão como se fosse amor eterno, te dou aliança, minha vida de brinde e segundos eternos de felicidade que irão paralisar o tempo na cena mais gostosa pra você se recordar do que pode ser feito debaixo das estrelas. Deixa de brincadeira, de ensaio, toca logo essa banda, me dá sua mão e vem inteira, me dá o que quiser dar, chega em mim, cola em mim, seja minha, eu já sou sua, vem, cansa comigo, depois, com calma, a gente põe a alma pra secar lá fora, passando o temporal. Vem ver o arco-íris que restou, que lindo, morena! Vem! Aonde vai? Não fez as malas, aonde vai? Com calma, morena, estou indo, me leva junto, me leva na bagagem, não se despede, não, minha alma vai; o corpo fica, é tudo seu, volta, me leva junto ao que roubou de mim...Ah, não! De novo, adeus! Até amanhã, morena...