sábado, 4 de janeiro de 2014

Overdose

De que morreram meus heróis?
Escrevo porque herança não tenho
Mas se amanheço morta
Meu legado é
Um poema.

Já na terceira overdose
O ensejo da vida me alucina
E faz brilhar os olhos
Se fecharem as cortinas
Não almejo orações
Mas despejem o poema
Sobre meu corpo ainda vivo
Como se perpetua viva a alma de um poeta.

Engana-se quem pensa que preciso ser triste
Para almejar a passagem para outra vida
O que preciso é de combustível
Porque feliz que estou
Eufórica que sou sempre
Um passo adiante
E invado a casa de Deus.

Oh Deus, quem sabe não te encontro
Porque tenho te desafiado tanto
Por vezes ameaçando
Renunciar ao meu direito da vida.

É que a adrenalina me seduz
A montanha-russa dos sentidos
E suficientemente louca de embriagez e verbos
Sinto-me plena e capaz de tudo
Quando tudo é pouco
Eu me nego a própria existência
Eu hei de me negar a própria existência
(tum tum tum
Escrevo com o coração pilhado
Outrora rindo da cara da morte
Provando que existe destino):

Mais uma dose.
Mais uma dose.
Game over
Over
dose.