sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Proibido

Éramos dois opostos jogados no acostamento, debaixo da chuva, sem rumo nem sonho. Com os braços fortes e todo aquele corpo robusto, invadiu-me a face com saliva como se pudesse vê-lo em câmera lenta, horrorizando-me a suportar os respingos e sua cara esdrúxula. "Você não vai ter coragem! Eu vou dar cabo de vocês!" - gritava como se o tom de voz fosse conformismo, sacudindo-me o corpo e a alma, impondo-me força, enquanto o meu charuto desgastado no canto dos lábios fervia, a tempo ainda de encará-lo ironicamente com as sobrancelhas erguidas. Foi quando, ante todo o caos que se estabelecera naquela estrada, indagou, enquanto passei a interromper-lhe constantemente:

- Até onde você foi...
- Por um grande amor.
- Até onde você iria...
- Por um grande amor.
- Até onde você vai...
- Por um grande amor. 

Respondi-lhe tornando finda a conversa, com risada estrondosa. Ainda olho no olho. Dei as costas. Fui mesmo atrás dela.