domingo, 5 de janeiro de 2014

Hoje eu sento e fumo e rio do que acredito

Hoje eu sento e fumo, e rio do que eu acreditei em um dia. Não que eu seja fumante, alcóolatra ou mesmo uma idealista: mas só por ter fechado os olhos, no ápice da condição humana eu sonhei um dia. E sonhar é coisa que se faz debaixo do céu azul claro em um dia ensolarado. Mas a nuvem escurece, surge trovoada e, ainda enquanto a chuva ameaça, a ventania leva tudo embora: as nuvens do seu pensamento. O carro novo não é mais interessante quando dentro da garagem, o amor da sua vida era até ontem o amor da sua vida, o seu doce predileto com calda de chocolate não tem graça no verão. É, o ano acabou, e eu não sei se a vida me enganou, se eu fui cega ou quis andar de óculos escuros - lembrando, ainda é verão. O que sei é que o amor passa, a paixão idealiza, o vento leva e o cigarro apaga. Mas a que mais me custa a acreditar é essa: o cigarro apaga. Quanto ao resto, eu já sabia.