domingo, 29 de dezembro de 2013

Nunca mais chores por mim, Serena

Nunca mais chores por mim, querida
O orvalho das lágrimas tuas
Não merece esta tua face!
(Face esta que enquanto escrevo
Acaricia-me com seda os dedos e as mãos)
Tão pálida e fria que te chamo
Serena.

Serena, mas não da noite
Posto que no aventar da madrugada
Faz-me nua imaginação
Passível de ser vagarosamente tocada
Como se passível eu fosse
De ter todos os sentidos do mundo.
Acalenta-me com seda aqueles teus cabelos
- Porque já estás longe
E tão pálida e chorosa
(Porque negaste a luz do sol
Como de mim negaste o contrário do choro)
Que te chamo
Nada.

Que não te chamo mais.