domingo, 15 de dezembro de 2013

Terceiro ato

I
Cale a boca! - estapeou-me - cale a boca e desapareça! Não ouse me responder o que digo, ou eu te xingo,  cale a boca!

Dissera ela com ódio, com nítida braveza no olhar, e na face expressiva revelou-me ter a certeza não mais tão certa de que aquele seria o último encontro.

II
Não, eu não calo, a voz não cala, o peito não cala, minha alma fala, moça bonita!

Assim exclamei um beijo, assim nos dissemos que era amor toda a raiva que sentia, e na posse mais tentadora de suas coxas, coloquei-me para dentro dela e fiz valer o seu vestido curto e suas pernas grossas, ambos para mim. Minha boca em seu pescoço, a face expressiva de fêmea não tão indomável revelou-me a certeza ainda mais tão certa de que aquele seria um beijo como no primeiro encontro.

III
Não nos calamos,  nem falamos, vivemos apenas o escorregar dos corpos em soneto e poesia, e mostrei-lhe seu destino juntando todos os fios de cabelo para que coubessem em minha mão, como rédeas quando dela fazia o meu querer sem querer limites, como se meu desejo fosse autoridade sobre as suas costas perfeitamente alinhadas, de quatro na cama. Uma tatuagem que mostrava o caminho, apertou-me para dentro dela e não mais sei sua face expressiva, revelou-me a certeza mais tão certa de que tínhamos tudo - a gente, nós. Impregnei-me do doce cheiro dela. Entre as nádegas calou-me, como queria. É assim o nosso sempre-encontro.