terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A cigana e a Margarida

A cigana bendita
Contou que a vida
Não dói e o porquê
Disse que se estou viva
Te devo, Margarida
Todo o meu bem querer

A cigana me engana
Diz que não ama
Não pode sofrer
É cigana ou baiana
O seu melodrama
Não posso dizer

A cigana é perdida
E também Margarida
Sofre sem querer
Ela tinha um amante
Hoje tem o bastante
Já pode morrer

Adeus, cigana bendita
Viaje sofrida
Mas nunca me esqueça
Me jogue as mandalas
Me leia nas cartas
Mesmo que eu não mereça

Porque a vida, cigana
Não é de quem ama
Nem de quem quer viver
A vida é uma santa
Que se benze na lama
Pra me convencer

Que eu viveria
Muitos anos de paz
Só te consolando, Margarida
Mas meu destino se encurta
E me pega na curva
Levando a minha vida

Quero o seu bem estar
E noutro canto, pomar
Siga cantando, Margarida

Porque pra quem sabe amar
Há mais gotas no mar
E até outra vida

A cigana me diz
Que o destino era outro
Não me consolou
Eu já fui mais feliz
O destino está louco
Cigana que sou

Foi-se embora de mim
O desterro da vida
A dor do coração
Eu sabia, era o fim
Encontrar Margarida
Leram na minha mão

Quero o seu bem estar
E noutro canto, pomar
Siga cantando, Margarida

Porque pra quem sabe amar
Há mais gotas no mar
E até outra vida