quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Em tempos de fuga

Cá estou eu em tempos de fuga
Aqui peço que anoiteça
Como a ânsia dos infortunados
Quiçá consumidores de sonhos
De outros pobres como eu
Domados pela insônia constante
Da sobrevivência desta selva de sentidos.

E o que é a insônia constante
Ante os pesadelos da vida?
Penso que há entre os sonhos e eu
Um laço estreito de fidelidade
Dou um beijo na boca vida
Para que vivesse (viver é sentir)
Me bastava que fechasse os olhos.

Cá me restou a alma desassossegada
E o conforto das carícias que me faz o vento
Como filha bastarda da natureza
Deixei que me penteasse os cabelos
E também num gesto delicado
Que este vento me tentasse a alma

Sou um verso
Escrevendo sobre a sombra esdrúxula da minha alma enferma
Sou o oitavo túmulo das sete maravilhas do mundo
E a quem interessar
Existir me dói
Viver lateja.