terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cântico de um trovador

Se pensares em mim num intento delicado
a murmurar sofrida o pesar dos meus anseios
e sentires na pele pulsarem os devaneios
de uma noite que viveu este malgrado...

...em um sentir violento do teu ardor celeste
as mãos de princesa debaixo do algoz
das mãos minhas insensatas que tiveste
Cobrindo-lhe as tuas logo após...

...Derramares deste corpo na fadiga
O que restara de deleite e de prazer
Do gozo eterno - qual duraste a mais sofrida
Solidão de escravizar-me o teu querer...

Deixa a minha mão sobre a tua
apertando-a com a força de ter amado
o que a alma destinou-se a encontrar...

E se um dia acordares na augura
De não me veres mais ao teu lado
Dorme - em teus sonhos hei de estar...

Posto que a morte finda a vida
e também a mais sofrida
perpetuidade de um trovador...

- O sofrer da dor infinita
de transformar em poesia
o que me mata, ainda...o amor...