quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Tinha os olhos mais bonitos que avistei em minha vida

Ela tinha os olhos mais bonitos que avistei em minha vida, e pouco sei de como poderia descrevê-los, se maior beleza não havia senão no seu olhar doce e expressivo, com os cílios cercando-lhe bravamente a retina; eram cílios ameaçadores, fortemente escuros e tingidos, e todo aquele conjunto mirava algo dentro de mim e adentrava escancarando o peito, me tirando o frio da pele e o pudor. E tinha mais e mais um gosto pela vida quando nos beijávamos, parecendo florescer a primavera; e era minha a mania de beijá-la e sair olhando para os céus agradecendo a vida, como se trouxesse-me de volta ao corpo, posto que, dona de minha alma, tragava-me dos poros os cinco sentidos e um sexto que deixarei sem nome, mas que deitando-me sobre ela, devorando com selvageria o pescoço e sentindo a fluidez e a torpeza desse sexto sentido é quando eu passo a entender a vida. E busco cores diferentes do azul no céu, como roxo, violeta...e busco poemas e cantigas que possam fazê-la não mais duvidar dos meus olhos escravizados e violentamente apaixonados, certas vezes sedentos e animalescos prestes a trazê-la também de volta ao corpo. Quando nos encontrávamos entre os lábios e entre a pele, no espaço mais curto entre nós, a voracidade de minhas mãos procuravam em cada pedaço dela a maneira mais forte de segurá-la para que nunca fosse embora, e dos lábios emanava uma ternura, homenageando o céu de tom rosado, o beijo na chuva, o abraço apertado, o cheiro doce de sua pele e só largavam-lhe aqueles sensíveis lábios para olhá-la nos olhos de novo, dizendo-lhe em silêncio e no âmago deste ser calado e um tanto louco que lhe devora a alma que ela – e ah! Só ela... - tinha os olhos mais bonitos que avistei em minha vida.