sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Perpétua pena

Senta, menina, sob as figueiras
O que podes ser mais que meus anseios?
Suspiros profundos e vestes certeiras
Que não perdem o brando para teus seios...

Tens a postura delicada de uma fera
Pronta a acatar-me como presa
E estes olhos dizem tanto - quem me dera
Ser o reflexo destas duas realezas!

Senta, pois, mais perto um pouco
E aconchega a cabeça neste peito ferido
De quem de longe deseja mais que um louco
Ter este corpo delicado como abrigo...

Mas se fizeres deste canto tua morada
Prometes: Rega sempre vossas flores...
- Que aos prantos seja mais apaixonada
Pois por ti eu já morro de amores...

Que podes mais querer, menina
Que não a alma e o corpo tão perfeitos?
Mais parece uma linda serpentina
És uma deusa até em teus desleixos...

Queres a minh'alma com a tua
E condenar-me à perpétua pena
De ver a tua beleza toda nua
E morrer acorrentado nesta cena...