quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quarta-feira de cinzas

Ei, mais delicadeza – pedi sutilmente com um jeito doce de olhar. O que eu sentia não podia ser visto. Fere orgulho, quebra a delicadeza, a magia do será-que-vai-ser para o então-é-e-pronto. Era esse meu segredo, minha fantasia. Mas hoje, em plena quarta-feira qualquer, é a minha quarta-feira de cinzas. De cinzas, de preto, de marrom – tons clássicos, tons escuros, amortecidos. Eu pedia mais delicadeza, como a fumaça do cigarro se mistura e entrelaça os dedos carinhosamente com os dedos das mãos das névoas do meu pensamento, desfazendo o martírio, clareando o dia como um sol particular sobre nossas cabeças. Sem delicadeza, você não irá saber o que sinto, e continuará pensando o contrário. E eu continuarei com um jeito doce de olhar, porque o que eu sinto não é secreto; é delicado.