quinta-feira, 2 de maio de 2013

Do acaso de sempre

Ela disse que isso era uma verdade triste, triste mesmo. Tão inocente que éramos e ainda não sabíamos que a verdade é uma faca sangrando na ponta. Foram segundos, minutos, horas, meses, anos e haverá décadas, e quem sabe séculos, para eu me referir aos olhos de duas esmeraldas e sutilmente diminuídos em uma forma inesquecível, guardando verdades das quais eu não consigo fugir. Duas jóias que figuram na minha memória em uma saudade tão doída que poderia ser chamada até de verdade, por doer na mesma intensidade. Ah, o que ela disse? Disse-me ingenuamente que as pessoas permanecem na nossa vida exatamente pelo tempo necessário. Desde então, tenho visto o trem anunciar tantos desembarques e desencontros que, ajoelho agora mesmo para rezar, com as mãos entrelaçadas e evitando o meu olhar impedioso para Deus, para o tempo, para o acaso ou essa força mágica sem nome: que dela eu precise sempre. Que a nossa amizade seja mais do que uma verdade, que seja assim, necessária.