segunda-feira, 4 de março de 2013

Cegueira

Na dúvida, fechei os olhos. Não sei se era vento o que afrontava a face, também não sei se na frente havia neblina. Caminhei, mas porque tinha dúvidas, caminhei de olhos fechados. Na incerteza de uma razão que justificasse o ser, ceguei-me violentamente de toda sabedoria da vida. Quando os olhos se fechavam, via as últimas cores que passavam por eles, como se fossem a última lembrança que restava. E por mais que houvesse cores, havia uma escuridão no fundo, lugar cheio de nada. Nulo absoluto. Fechei os olhos para a vida, apoiando-me numa bengala de cego. Não eram óculos escuros, estou falando de olhos fechados mesmo. Estava tão difícil, beirando o impossível, que eu não sabia se respirava ou se o coração batia. Na dúvida, fechei os olhos. O que os olhos não veem o mundo não contempla.