domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sonhei que era viva

Sonhei que era viva
E sigo sonhando.
No meu sonho havia um barco
Agora vê em meus olhos delicados
Toda a vida indo embora
Na enchente banhando o asfalto.

Vê, e não digas nada
Vê tudo o que podes de olhos fechados
Que o preto das pálpebras
É a janela do mundo.

Podes abrir a janela
- Abre agora!
Crianças correm lá fora...
Casais perpetuam seus temas inversos de paixão
Meninos e meninas protagonizam romances anônimos
Bêbados se divertem porque não tem pálpebras
E tu, por teres, fechou-as agora.

Sonhei que isso era a vida
E sigo vivendo - não mais sonhando
Talvez eu precisasse de um novo ser
Genuíno do próprio sangue
Nascendo como cada célula se renova a todo instante
Posso esperar por todas
Porque talvez eu espere não pelas células
Mas pela beleza
Pela moradia
Pelo chão
Pelo teto
Pela cerca do lado de fora
Por uma nova história
Por uma outra vida.

E de esperar
Não crendo noutra vida apenas
De esperar uma vida outra
Com a certeza (anseio) de que virá
Sigo sonhando
E sigo vivendo
Protegida pelas pálpebras
O mundo é lindo de olhos fechados.