segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Porta fechada


Hoje eu andei por entre salas vazias
E fui surpreendida pela porta fechada!
Fechou-se a porta de uma sala em que eu ía
Fechou-se, apenas, e eu não via nada...

Era uma porta de sala vazia
Transparecendo a luz do dia, amarelada
Porta velha, pensei: entardecia
Ou pudera estar presa à madrugada?

(Perguntei-me porquê andara. Não sei.
Perguntei-me aonde ia.
Não sabia.
Quis saber o que eu via
E disse – só – que entardecia.)

O assustador era a porta fechada
Da sala de onde eu via o mundo
Senti-me náufraga desesperada
Sendo sugada do mar para o fundo.

Era um frio suor escorrendo, e pálida
Sentia-me derreter, sumir. Enfraquecida
recuei os passos! Oh Deus! - uma ávida
Reza clamei para achar a saída...

(Não mais andei.
Nem pegadas ficaram
Por bem, recuei.)

E se a pífia lógica aristotélica
Transgressora de princípios
Como faz toda lógica
Pensando: assumindo riscos.

Desafia-me a aprender andando
Eu sigo - recuando
E assim vou desaprendendo.

Pode ser que andando para trás
Eu revise o que foi aprendido
Ou descubra não um novo caminho
Mas um jeito novo de ser parido.

(Por uma ideia que partira
De meus passos covardes
Sabendo que o medo, às vezes
É o nosso maior protetor.)

- Aprendi a aprender ,ontem, andando
Disse-me uma amiga, artista – pensando?
E o nome disso é Peri
Patético!