quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Meu edifício


Sim, eu sou essa peça que não encaixou no quebra-cabeça. O décimo segundo pedaço de um coração partido. A figura de uma alma no espelho triturada pelos cacos de vidro que tentaram colar para que a imagem voltasse a ser o que já foi um dia – sem que isso tenha dado certo. É isso o que sou. Um meio termo do inferno e o infinito de um quase. A dor de uma alegria absoluta e a glorificação do sofrer em versos poéticos. Sou você quando não se assume. E sou eu quando rasgo a fantasia. Quando canso de tudo isso, eu sou, e basta. Sinto-me ser a todo instante, sorvendo amargamente o gosto de não ver um sentido para a vida (por, talvez, ter sentidos demais). Sou a primeira não alcoótra eternamente bêbada, assim, por opção. A dose de pinga sugada ociosamente de uma taça de vinho já transbordando, maior até mesmo que os sonhos, bem maior do que o tamanho do copo. O negativo de um talvez, a probabilidade do sim, a agonia do não, a euforia do sempre, o desalento do nunca, o pecado de um quase, quase sempre entorpecido.