quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Heroína


Por trás do meu sorriso, tenho vivido todos esses dias sem certeza de nada. Mal tinha a certeza de que eu precisaria de uma certeza um dia. Agora parece que nem tudo são flores, mas cactos, espinhos, atalhos em mata fechada. Uma selva, um pântano. Um lugar de onde jamais ecoaria um grito de socorro, de aflição, de dizer que BASTA! E basta mesmo. Essa coisa toda que brota no sangue latejando e entrando em ebulição querendo marcar a minha vida com princípios épicos – herói é aquele dono da felicidade própria, capaz de salvar a si mesmo do abismo do tédio – está começando a rasgar a pele sem pedir licença, posso resumir meus dias em uma perda imensurável de quem já nada tinha.