sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dos seus olhos saltavam flores e belezas naturais nas entrelinhas, dessas que adjetivos faltam para dar nome. Pareciam unir-se pelos braços não querendo ser dois, mas apenas um. E prometeram amar, e prometeram presença, e prometeram compromisso, e prometeram jurar, e prometeram prometer e outras coisas mais. Prometiam com a certeza de cada pulsação que invadia o corpo intensamente naquele momento. Os olhos, quando de encontro uns aos outros, tinham a vista de uma roda gigante prestes a aproximar-se do solo novamente. O chão, o chão ela perdia. Mas também a noção, a hora, a razão, o perigo. Eu não achava justo que um coraçãozinho tão límpido e infante como aquele derramasse a sangria por ter amado. Queria dizer-lhe que era preciso amar, amar, amar, ser amado também, mas amar, de novo. Era essa a sequência. Para ela, a sina. Disse-lhe que arrancaria o meu braço para trazer a felicidade de volta – e com as palavras, atirei uma garrafa no mar. Voltou. Voltou com dizeres indecifráveis nomeados “destino”. A franjinha só não era mais comprida, incapaz de cobrir-lhe o choro sutil, com os olhos que avermelharam-se como o sol quando resolve se pôr, naquele tom de céu entardecido. Sádico seria dizer que eram lindos, porque não era lindo ver que sofria. Eu queria ter uma resposta, queria um desfecho, uma chave para a porta, mas não havia palavras, não havia certezas, não havia sentido. Havia apenas outro rosto molhado pedindo pelo amor de Deus para entender a vida. E me descobri aqui, em plena madrugada, com o lápis na orelha, escrevendo de novo. Escrevo como se alguma coisa fizesse sentido, para dar as palavras onde estas faltam, para colocar as cores onde não há brilho, para ser a voz onde falta a música, para ser aquilo que ela precisava ouvir, aquilo que, de alguma forma, pudesse trazer o seu sorriso de volta.