sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Senhor, eu tenho um apelo. Se me disser de onde eu vim, prometo dizer que não devo voltar. Não sei bem se estou vivendo, sigo tentando. A minha dança é torta e estou quase caindo do palco. Não reconheço a platéia, não mereço os aplausos, para quem eu vendi os ingressos? Eu não tive ensaios, isso é injusto.
Foi assim que soquei os vidros. Só não bati mais forte para não cortar a mão. Eu era mesmo forte, mas tinha medo de sangue. Eu era o sangue. Eu só podia bater no vidro, mas não sair da jaula. Querer ser é uma prisão da qual só se é possível libertar quando se pode verdadeiramente ser. Então, não suporto sangrar. Não suporto me ver, já quebrei espelhos, apaguei memória, não posso vazar de mim...