sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Desespero

Tinha fé em algo que não sabia bem o que era. Isso era só o que importava: ter fé no sol batendo na grama, na calçada imunda, no cheiro de mato quando se sai da cidade. Tinha fé nos olhos que atravessavam a janela do trem alcançando distâncias inatingíveis, olhos livres porque olhavam o que queriam. Tinha fé nos próprios braços, e assim, se abraçava. Podiam ser mais fortes do que tudo. Fé era uma esperança que estava entre olhares de passageiros com raios de sol enaltecendo as cores e a distância incorruptível da paisagem, como se não houvesse vidro (como se não houvesse limites). Encarou o horizonte - isso era fé. Tinha fé que ele fosse seu. E até mesmo quando fé não for o bastante, jurou ter fé como se fosse o bastante. A alma precisa de apego, ninguém é vivo se não acredita.