terça-feira, 18 de outubro de 2011

Existe um momento mágico entre nós. Mas não só existe um momento mágico entre nós, são tantos. Sei dizer que hoje o melhor é quando digo besteiras (e deve ser por isso que eu digo tantas besteiras), e ali, pertinho, na distância do mar e da areia, você abre um sorriso. E é tão largo o seu sorrir que traça a linha do horizonte, e de perto, brilha tanto que chego a confundir com o sol. Os seus olhos antes tão sombrios e escurecidos são banhados de luz, enaltecem. Um tom de café, mas de um jeito tão claro que enxergo as palavras que você não diz (e só assim para decifrar, sua expressão é quase sempre a mesma). Para não ser presa, busco a vista distante de nós. É que se eu fico a te olhar por muito tempo, nos encontramos. E eu, que antes tão perdida, sou capaz de te encontrar, antes mesmo que me encontre. 
Fico pronta para afrontar seus olhos, é quando temos outro momento mágico, mas no fundo, esse é só meu. Atiro-me na cama com fúria, querendo estar mais apegada ao lençol e ao cobertor do que estaria ao seu corpo, aos seus cabelos, aos seus lábios quentes e doces. Preciso do seu gosto, preciso da sua voz, dos seus gestos e dos seus sorrisos. Preciso estar (em qualquer canto) com você. Preciso precisar (e tanto) de você. Preciso daquela fórmula exata que você tem de encontrar o lugar certo para repousar a cabeça em mim e, de olhos abertos ou fechados - tanto faz - nada mais me importa e me parece mais sutilmente interessante do que o ritmo da sua respiração visitando meus poros. Tudo isso é poético demais para a sua racionalidade severa, e precisar pode parecer orgânico demais para ser um poema. Não importa. É mais ou menos isso tudo o que está nas entrelinhas quando eu digo que te amo. E eu te amo, eu te amo muito.