quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Irônico, mas é como se houvesse ao seu redor uma áurea mágica que sabe o que fazer para me manter por perto. Está certo que, despedaçada como estou, devo ter perdido um pedacinho meu em você naquela noite. Um brinco caído na cama, alguns fios de echarpe, rastros do perfume que adora, ou o restante das palavras que engoli friamente por covardia. Sei do quanto você me culpa por trancar meus sentimentos, mas sei também o quanto você sabe de tudo. E você sabia tudo. Você sempre soube e sabe de tudo, e pouco disfarça, pois te vejo sorrindo maliciosamente quando estou tremendo. Estranho, mas é como se houvesse uma neblina gélida quando chego perto de você. Tremo muito, temo também. Mas o que sei, e o que você sabe, quebra esse gelo. E eu quebro a cabeça, a mesa, os quadros, a janela do seu quarto e até mesmo a sua porta se você não me deixar voltar, se você não me aceitar de novo, se você não parar de me fazer pensar que nós só nos conhecemos tanto porque estamos sentindo a mesma coisa.