quinta-feira, 7 de julho de 2011

 Eu não queria confessar a você as coisas que tenho sentido. E por falar em sentido, nem mesmo os meus sentidos fazem mais sentido. Os seus olhos me afrontam e corrompem a libido. E não são olhos de caça, nem de onça, nem fervoroso. Sou eu a estar febril diante deles. Olhos de maresia, mas que rezam as cores dos diamantes, do reflexo dourado do sol quando pousa sobre as folhas das árvores. Só queria descansar os meus olhos em você. Mas se fito muito tempo eu sou traída. É o meu olhar que nunca disfarça. Pareço viver de te olhar a todo instante, é a minha fuga, onde suspiro. E lá de longe você vinha sorrindo, braços abertos, gestos doces - e mesmo que nada bruscos, vinham me quebrando - e eu, de pernas quebradas, como que diante de uma criança, ria não sei do que. E rio agora. Você na cabeça e um sorriso singelo no rosto. Criança sou eu. E sua.