segunda-feira, 11 de julho de 2011

Hoje, me dei o direito de ser triste. Hoje mesmo fechei as janelas - as cortinas, os olhos, desci do palco. Descobri que, enquanto a tristeza era questão de tempo, o tempo era questão de eternidade. A vida inteira percorrendo a memória foi como um trem me atropelando ao atravessar o trilho: nem destino, nem volta. Nem rumo, nem saída, nem ar fresco, nem amor. E quando almejava a florzinha avermelhada perto do trilho foi que o trem passou. Você me trouxe a paz e todas as coisas mais lindas, só de me olhar me convidava pela mão a correr e deitar em um jardim - lindo também. O céu que avistávamos, o sol, a lua, você: lindos. E hoje me vejo sem volta. O máximo que posso fazer é atirar uma pedra em um lago, vê-la ir lá no fundo, enquanto as águas dançam em sua volta, enquanto eu finjo que você vem. Definitivamente é que hoje basta. Mesmo que você nunca saiba, aquele pedido que fiz, foi pensando em você. E mesmo que você nunca venha, de algum jeito, em algum lugar, eu estarei pensando: por quê?