quinta-feira, 17 de março de 2011

Você tem um jeito dócil de trancar as portas. Diz sim querendo dizer não, não dizendo sim. Você é assim, mescla de saudade, amor e agonia. E eu transbordo em puro sentimento.
Lembrar do cheiro que te seguia em rastro quando te vi com os cabelos molhados, e da ternura da sua pele branca e macia são feridas que não curam. Sangram mesmo sem doer. E tenho guardada a forma como os seus olhos irradiando todas as cores do arco-íris passearam sobre os meus, mergulhando profundo, e sua boca delicadamente se abria. Os lábios tornaram-se trêmulos. Sua mão repousava sobre a mesa debaixo da minha, e naquele instante você me disse não saber o que fazer, disse não saber de nada. Mas eu também não devia saber muita coisa, tínhamos nos conhecido há menos de um mês. O que sabíamos, então, devia estar ali, na hora exata em que eu entrei por aquela porta e seus olhos me flagraram trazendo uma avalanche aqui dentro. O que sabíamos estava, talvez, escondido entre nossas mãos dadas, bem ali, onde a minha mão sobre a sua parecia guardar algum segredo.
E talvez, nas linhas dessa mão direita, tudo isso já estava escrito. Parece que não, estamos distantes. Mas eu ainda sinto o seu toque delicado pulsando em mim - na madrugada, nos meus sonhos, ou qualquer hora do dia em que estiver de olhos fechados. Eu sabia que esquecer não seria tão fácil.