quinta-feira, 24 de março de 2011

Meus olhos vão morrer em ti

Esqueço-te para que eu viva um pouco
Pois a cada instante o meu olhar vislumbra como reflexo d'água
A força do teu colo sombreado na parede do quarto
E estes mesmos olhos, os quais são teus
Desdenham e cegam-me ofuscados
Por cada parte tua que desejo singela e minuciosamente
Os olhos meus são dois protagonistas
Pousando sobre a distância da água límpida da serra do mar
E são tão teus
Que até quando se fecham reparam em ti
Dormem e ajudam a sonhar contigo
E quando acordo
Sabes aquele sombreado da tua imagem de braços abertos na parede?
Faz-se nítido a adormecer com meu suspiro
Que quando se despede de ti, insiste em ser o último
Deixarei, enfim, que os meus olhos morram em ti
Desfalecendo, cerrando em teu peito
Sobriamente pela força do teu sorriso
Quando estiveres a uma distância tão curta
Em que eu possa sentir o ritmo da sua respiração
Vais acolher-me em teu abraço
Meus olhos se fecham com força
Para que eu nada veja, só sinta
Os olhos meus vão morrer em ti
Calados no teu olhar e desaguando em teu peito
Queimando, ardendo, quase cegos, anestesiados
De beleza, de saudade, de amor...