domingo, 20 de fevereiro de 2011

Flores secas

Carregada em passos lentos e fúnebres, lamento não dotar-me da audácia pura de sentir seus gestos vivos. Insisto que a pele quente sob o sol - que me atinge as mãos finas e ainda leves de tocar a seda dos seus cabelos - faz recordar a ardência do seu toque. Dói infiltrar-me em muitos rostos perdidos, e uniformes parecidos com o seu, porque querer não basta para te trazer de volta. Perdi o farol aberto, a fala e arespiração por lembrar do seu jeito atravessando a rua ao meu encontro, e como meu peito aspirava um ar de vontade, alegria e plenitude por olhar esta cena. Se não visse seus pés, diria que você vinha flutuando, ou que por onde pisava brotavam flores tão lindas que eram rosas, margaridas, violetas. Era possível colhê-las.
Hoje essas flores são secas e fazem estalo, barulhos da rua que e sugavam de um sonho. Eu estou te amando desse jeito. Recíproca e inoportuna, desejo que você não me esqueça nunca mais.