domingo, 20 de fevereiro de 2011

Desgraça!

Esqueço-te como o sol se põe todas as tardes 
Com a certeza de que volta para fazer nascer um novo dia 
Esqueço-te como a penumbra de uma lua que se oculta entre as nuvens 
Como se as tuas unhas cravassem em minha face a todo instante 
E como se o vento que passa a perturbar meus cabelos
Carregasse para ti uma palavra de saudade
Com a voz adormecida, quase não pronunciada
É no entardecer que eu te esqueço
Quando passo a confundir o ardor da pele pelo sol que aqueceu o dia 
Com este corte profundo no meu peito rasgado
Esmagado como tu deixaste 
E como um quarto de onde partes para longa viagem
Com os móveis a teu gosto, bagunças na mesa
E as roupas de cama que não se troca, nem lava 
Serei, sem ser florida, o teu lençol predileto
Onde hás de voltar para o descanso 
E enquanto não voltas para casa
Minha alma promete abrigar a tua 
Digo que não tirarei nada do lugar

Enquanto isso sigo como uma frágil estrutura 
De edifício longo prestes a desmoronar 
Esqueço-te fazendo de mim aos pedaços
Fico só
Às ruínas
Sem lar
Que desgraça.