domingo, 9 de janeiro de 2011

E que saibam - anjos não são santos.

Meu bem querer, quero teu amor com gosto de amanhecer. Mas não um simples amanhecer, ver o sol para mim não basta. Quero ver o corpo nu, as asas soltas e a vontade escancarada. Posso dizer que sou um anjo, mas isso não significa que sou santo. Seria um demônio se assim preferisse, mas não tiraria de mim a inocência de um vadio, com um véu imaculado e a pureza crua de um altar.
Um santo, um louco, um poeta. E com a pulsão desenfreada de derreter seu corpo nas mãos...
Acordar fazendo das mãos agora muitas, e do coração um órgão inexistente. Dormir feito anjo, e sonhar como um pervertido de auréola obscura. Buscar o desejo no fundo do poço, e após, despertar a esperança de tirá-lo de lá, dar um beijo em sua testa, e lá de cima empurrá-lo.
Beijo-te carinhosamente enquanto te empurro, deixo derramar nos seus olhos alguma essência minha. Arranco da sua garganta algumas palavras que só cabem nos gestos, e as suas delicadas mãos pensam me sondar e sou tão leve, você toca asas.
Perfaz-me um anjo de malícia - que insana és, que delícia!
Agora pego meus versos e coloco debaixo dos braços.
Deixais as palavras - coitadas - cheias de calor e agora molhadas de prazer! Da janela são vistas as sombras, roupas rasgadas espalhadas no chão. Mas há algo que você busca no meu olhar, uma ternura adormecida que desperta. E não tem explicação, anoitece, amanhece, o tempo não espera. A gente deita e se enlouquece e o mundo diz que temos que fazer preces.
Sou um anjo nu, voando por aí, entregado a quem quiser uma dose de amor( dizem que é amor). E que saibam: anjos não são santos.

Em honrosa parceria com Vinicius Eros.
www.viniciuseros.blogspot.com