quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crava as unhas em minha pele

Queria pedir-te uma dor
Que não fosse a dor de saudade
Hei de clamar-te um louvor
Que me salva da fatalidade

Que é viver dentro do quarto
Vendo a chuva cair lá fora
Como se a dor fosse um parto
Por quem espero, e demora...

Quando fores me encontrar
Eu suplico, meu bem, não digas
Nada que me faça chorar
Dá-me trevos ou figas

Crava as unhas com força
Em minha pele, até rasgar
Podes chamar-me louca
E desconfio, assim, de estar...

Por querer-te tão loucamente
Desesperada, aflita, torpe
E por ver-te assim ausente
Preferindo a morte!

Crava as unhas sem piedade
Que me machuques, uma ferida crua
Não sabes a felicidade
Que teria dessa lembrança tua...

Arranha-me com toda a força
Sei que serás delicada
E que por mais que eu torça
Não hás de fazer-me nada...

Disseste que não perdoaria
A ti, se me machucasse
Eu digo: como queria
Que isso fosse verdade...

Porque sabes que tenho te amado
Sentindo aflita arranhar-me inteira
Por este silêncio que a ti é sagrado
E a mim tortura, anseia...

Será que hás de perdoar
A ti pela dor que causas
Quando queres me encontrar
E diz-me, depois disfarças?

Então, crava as unhas em minha pele
Deixa ficar marcado
Que doa, sangre, e seque
E sentirei que estás ao meu lado...