quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Escute: eu não quero estar aqui amanhã. Porque quando os meus passos partirem para a direção contrária a você, eu não vou querer voltar para casa. Isso depois de ter deixado o meu abraço desesperado, urgente, derramando anseios, pulsando o peito de angústia contra o seu, e deixando o seu rosto tranquilo e acomodado sobre o meu ombro para te ouvir suspirar. É quase um grito mudo, você nunca me diz nada. Eu vivo de gestos. E não vou querer estar aqui amanhã, porque os seus olhos não vão me encontrar. Porque não vai durar mais do que alguns segundos o perfume dos seus cabelos quando meus dedos se entrelaçam neles. Não posso, não quero e não vou estar aqui amanhã, por saber que você pode me deixar. Vai mesmo me deixar ir embora? Eu vou mesmo me perdoar se não disser que te amo? Quando eu der as costas, será que você não pode correr comigo e me dizer "Espera!". Eu te digo: Escuta, não quero estar aqui amanhã. Eu não quero sentir que te perdi.