quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

E, naquele banco posto na frente do último vagão do metrô (idealizo a cena), você larga as mãos sobre as pernas, em um gesto de paciência. Meus olhos não acompanham sequer a movimentação das pessoas, covardes que são, também não te encaram. Eu só queria que você me arranhasse, que ao invés da delicadeza de cuidar em colocar a mão em meu braço, você cravasse as unhas com toda a força que pudesse. Até rasgar a pele. Até tirar sangue. Eu só queria uma dor maior do que a dor de te perder para outra pessoa. E eu quero me levantar, dar as costas e ter esse corte sangrando como uma hemorragia. Quero uma marca sua para levar a vida inteira, quero você debaixo dos meus olhos. Quero mais do que me despedaçar por dentro. Sem saber, sem querer, você me machuca.