quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Você me deixa caminhando com essa cara de criança que se perde dos pais. É quando, durante a tarde, sinto uma pétala de rosa branca me apunhalando com força, e simplesmente por estar triste e sozinha me faz pensar em você. Passos curtos pessimistas, como se estivesse sempre descendo, a cabeça caída enquanto os olhos vêem o chão percorrer como se vê lindas paisagens da janela do carro na estrada. Viajo. Não são lindas as paisagens sob meus pés, e sim papéis de bala, folhas das árvores e pedaços meus, desses que você fez de mim, vão despencando e deixando rastros. Olho para trás porque sinto que alguém me segue, me observa. O vento move as árvores e joga meus cabelos contra o rosto, não me deixando ver nada, mas sei que alguém está próximo. Você está em alguma marca de fogo na minha pele, eu sei, você não me deixa. Já virou uma certeza, cicatriz. O sol vai se pondo, indo embora de fininho, rindo da minha sina solitária. Chuto uma pedra na rua, fecho a cara e me deixo só - só eu e a saudade. Por que você não atende o telefone? Eu ia te dizer umas coisas tão bonitas, ia te dar umas coisas tão bonitas, iríamos fazer umas coisas tão bonitas...