segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vaga memória tua (longe de mim!)

Jeitos que tenho de tirar-te da cabeça
São maneiras de exilar-te sóbria
Pairam na neblina a serem ofuscadas
Pelo brilho dos meus olhos
É quando encontro
Brilho teu, que se reflete neles.

São meras juras rebuscadas
Tão pobres de razão e inocentes
Como a raiva que tem uma criança

É raiva tímida, passageira
Nunca cruel ou certeira
As vezes em que fico a prometer
Tirar o teu nome da cabeça.

Mas há polida e rézia conjuntura
Que vem dos lençóis maranhanhenses
Areias brancas que não na beira de água salgada
Textura diamantina, da sua pele
Branca como a luz que promove a paz
Leve como as aves que também são brancas
De vôo preciso e asas dançantes
Voam.

Voam mais meus pensamentos
Por entre estes olhos finos, amendoados
Simplesmente de uma cor que desconheço
Tão igual a dos cabelos, parecendo acinzentados
Porque fogem do louro e do escuro
Fogem também dos meus olhos armados
Doces que são mesmo longe dos meus lábios
Olhos pequenos, que se sorri, encurtam
Traços que eu não esqueço.

E de sorriso só tenho a mostrar no meu brando
Uma confissão caloura
Sorrisos que devoram tua pele branquinha
Mastigam-te na timidez
E bebem saciando-me a sede da tua essência.
Olhos amendoados retidos nos meus
E sonhos decifrados descritos nos nossos.

São os jeitos que tenho de tirar-te da cabeça
Tiro e deixo derramada no vinho doce
Vaga memória tua
Com um olhar para a estrela mais brilhante
Pondo-me a pensar tão só na saudade
E no amanhã, que tem vindo sempre
E me parece ainda mais distante
Por dormir à noite e acordar sonhando
Rondando a alma de quem queria ao meu lado
Se sentes, se vês, se sim e se calas
Mal sabes como torturas esta alma poetisa.

São jeitos que tenho de exilar-te sóbria
Guardar proseando teu nome
Nas entrelinhas do meu poema
Lendo como uma oração
Todos os dias, a agradecer a manhã
Leio aqueles pensamentos que pairam na neblina ofuscada
Tiro de mim a tua memória
Mas não tiro nunca a minha saudade
Por mais que de ti, ela me pertence
E eu a tenho nos braços calada, cuidada
Tão bem protegida e aconchego
Com leveza que te permite o sono
Com força que não te deixa ir embora
Fico só, mas estás comigo
Nestes olhos que buscam as estrelas
E no meu colo mudando de nome
Quem dera, amor, quem dera
Mas
Chamo-te só de saudade
Minha.