quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Retrato preto e branco

Talvez por não me ter ao lado teu
Fico a te lembrar só por saudade
Sustento nos teus olhos
Lume em meio ao breu
No retrato que carrega
O teu rosto pela metade

Vejo um olho só e a boca distorcida
Pintura que não seca, em cores quentes
Vejo o silêncio da lágrima sofrida
Refletir na tua foto os meus olhos veementes

Não por ser preto e branco
A parecer notícia de jornal
Mas nada seria mais tão lindo
Do que qualquer concerto findo
Teu rosto tímido e natural

Olhando a foto eu choro, baixinho
Para que teu rir não me condene
À mais cruel barbaridade:
Acordar olhando a foto tua
Dormir querendo-te ser a lua
Viver morrendo, e de saudade

Talvez seja o retrato a salvação
Delicada ternura, timbre dos Orfeus
Oh não, retrato teu, já é muita judiação
Guardar-te em preto e branco
Com moldura escrito adeus