domingo, 7 de novembro de 2010

Que em algo possa tocar-te...

Queria prender-te nos braços
Ter de ti um sentimento profundo
Que termine nas flores dos verdes vastos!
Maior, que seja do tamanho do mundo...

Queria ser o vento que passa
Na face tua, só para beijar-te
Ser como poeira, mas nunca escassa
Que em algo possa tocar-te...

Queria ser água com que matas a sede
Poderia ser um tapete na sala
Mas se fosse a água, tu serias rede
E pobre de mim, iria à senzala!

Queria ser a roupa que vestes
Seria a cor do lençol onde deitas
E como aranha nos olhos teces
Frases e cenas - todas perfeitas!

Eu que me amarro, sou presa rendida
Querendo-te ser qualquer suspiro
Seria de ti a lágrima caída
Tu, que és amor e delírio...

Queria ser, enfim, coisa qualquer!
Ser de ti um milagre ou as preces
Amo-te e não sabes, e se a dizer-te vier
Dá-me um beijo! Ou então, me esqueces...