quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quem, a bela? É ela...É ela...

Eu corria
Ela parava
Eu sorria
Ela esnobava

Eu na minha
Ela na dela
Eu na sua
A gente duela

Eu me despia
Ela, espia
Eu chorava
Ela escondia

Ai de mim
Se ela esfarela
Via e falava:
- É ela! É ela!

Ela ria, de cruel ternura
Eu sorria - formosa desventura
Ela, do fogo - doía, queimava
Eu, tapete - e ela passava...

Ela no altar, cheia dos lampejos
Eu, a orar, debaixo e de joelhos
Ela – Deusa - bandida perdoada
Eu de crucifixo e alma penada

Ela na guerrilha, feito armadura
Escudo de matilha, perfeita conjuntura
Eu de corpo e alma, promessa feita
Ela, heroína, criminosa suspeita

Eu me entregava, feito doação
Ela esmagava - pobre coração
Eu me levantava - que alegria!
Ela me acabava feito alergia...

- Ela me abraçava, eu, machucada.
- Que bela magia (toda despencada!)
- Que ironia, ela sempre pecava.
- Tu és santa...ela, desvairada!

- E o tempo que nos faria...
- Tão bela estava - ela dizia.
- Não recordava.
- Mas eu sofria.
- Ela me amava.
- Ou era fria ?
- Tão pouco importa.
(Eu amaria.)

- Eu, a obra, já acabada.
- De mim sobra ela idolatrada.
- Cadê? Onde estás?
- Eu? Na calçada. E tu, o que faz?
- Em plena madrugada?

- Pra Lua eu digo...
- Por ela eu mato!
- Pra mim, nem liga
- Pra nós, é fato.

Eu era amante - ela era amada
Que semblante - ela lapidada!
Parecia diamante - ela, descarada
E eu, infante, presa caçada...

Me faço um prato –raso seria
Lhe faço um trato – aceitaria ?
Com tantos laços, me embrulharia
Com tanto tempo, lhe cansaria

- Quem é ela, poeta, aquela?
- É, poetisa, entre as vielas.
- Vi, é ela, poeta, é ela!
- Quem, a bela?
- É ela...é ela...

Em honrosa parceria com Vinicius Eros.

www.viniciuseros.blogspot.com