quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Eu estava tremendo, e isso era só pela vontade que bateu agora de ligar no seu celular. O rubor que me tomou o rosto fez com que eu voltasse a minha pré-adolescência, brincando com um trevo de quatro folhas. Tremia como se queimasse, se ardesse em febre, mas diante dessa fogueira colocava mais lenha e escondia um sorriso, tudo isso só de pensar que ouviria sua voz, mataria essa saudade. Disquei tão depressa seu número sem sair da cadeira, sem me dar o cuidado de abaixar o som da música que tocava no quarto - seria meu consolo, caso você não atendesse. Tocou como um alarme incessante, foi como um disparo repetitivo e insuportável que você deve ter aturado se estava por perto, se for verdade que o celular estava longe. Vou escorregando o aparelho pelo rosto, com os olhos fixos em um canto específico da parede, como se ela não fosse branca, como se ali tivesse algo que me chamasse atenção. Chamada encaminhada para a caixa de mensagens. Jogo o aparelho contra a cama, com a força que queria que alguém me batesse agora - um soco, um nocaute, algo que me destruísse mais rápido do que esse jeito de te amar bebendo um veneno pela seringa. Está bem, foi só uma ligação perdida, eu posso tentar outra hora. Mas, se não for pedir muito, grave uma mensagem na sua caixa postal, diga seu nome, desculpe-se pela ausência e mande um beijo. Eu vou fechar os olhos e ouvir de perto, como se você estivesse aqui comigo, como se isso não fosse automático, como se a sua voz em meio minuto me matasse a saudade que já vem me matando desde quando te vi pela última vez.