sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ei, me desculpa se eu nunca te fiz um elogio? É que vejo a beleza cair de uma árvore como a folha no outono, esparramada e seca. É um grão de areia que o vento leva. E é claro que eu te acho linda, mas não há beleza maior a que me entregue sem ser essa mescla de tons castanhos que fazem seus olhos, vendo um brilho a mais como se tivessem duas luzes acesas. O jeitinho de sorrir timidamente, quando o rosto é corado e o olhar vira um andarilho tramando fuga. A leveza hostil com que se prontifica a disfarçar uma irritação, a mania de brincar com os lábios ingenuamente porque não sabe como brincam comigo. É dessa beleza que eu gosto, dela que quero cuidar. E se puder te pedir algo, peço apenas que não mude. Não bronzeie a sua pele, não tire o piercing do nariz, não leve embora o seu sorriso, não perca esse sotaque e muito menos deixe de odiar ervilhas. E nem pensar em deixar de sorrir toda hora, sem que os olhos diminuam e tenha o rosto quase rubro, até um pouco rosado. E eu não pediria para amar de novo; eu não precisaria me apaixonar outra vez.