quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É verdade, eu estava quebrada. O que não sabia é que não há nada que o seu sorriso não cure. Metade do cinto para fora da calça, o salto da bota cravado ritmicamente sobre o asfalto, e a mão como um pente tirando os cabelos dos olhos. Fui vista assim, em pleno domingo amanhecendo, mas como nasce o sol, nasce uma esperança. Despejei algumas lágrimas sentada em um banco, que rapidamente aconcheguei deixando que caíssem em meu colo. Era um sinal seu, de dentro de mim, de alguma coisa que eu te fiz sentir. E como eu queria ter um sinal meu, dentro de você, de algo que eu te fizesse sentir, seja um peso nas costas por eu te amar tanto, seja uma enorme vontade de estar perto. Doce, doce e terno, que não seja somente a dorzinha de puxar a sua pulseira e te arrancar alguns pêlos do braço - e te ouvir reclamar depois, com a certeza de que fiz você sentir alguma coisa. Então, eu não te faço um elogio, só me atiro na sua frente como um pedestre suicida que achou o carro na mais alta velocidade. Você buzina, eu preparo. O farol fecha. Você pisa. Eu salto. E ainda me diz que eu quebro suas pernas. E você, que me deturpa a vista com sua beleza, que me rasga o peito de saudade, que me deixa parada na sua frente te vendo doar infinitos sorrisos quando eu só queria a sua boca fechada? E você, que me enche de tapas sem nem sair do lugar? É, eu quebrei as suas pernas, mas você me arrancou dois fios de cabelo e desmontou meus ossos.