quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Chega! Pare de me dar tapas na cara, de apertar as unhas contra meu braço me puxando de volta. Onde foi que eu tomei uma tripla dose sua na veia? Fico tragando seu cheiro, a fumaça e o choro deixam meus olhos vermelhos. Você não vê o que está fazendo comigo? É patético, submisso demais, eu deixei todas as portas do amor abertas para me acorrentar no seu pé, arrastada pelo chão conforme seus passos. Não, eu não te peço compaixão, nem sentimento de culpa. Se você fosse sensível o bastante para isso, estaria pelo menos gostando de mim agora, pelo menos abrindo a boca para me dizer meia dúzia de palavras que não sejam essa sua indiferença. Chega, chega de morrer de amor! Eu bem disse que um dia ele me mataria. Levei as mãos para o alto, estou parada na sua frente. Eu me rendo! Atira! Atira logo, por favor, acaba com esse sadismo absurdo, puxa o gatilho. Mas mira no peito - eu quero que você atire, mas que seja boa a pontaria, sem correr o risco de esquecer de te matar dentro de mim, para que eu não te leve mais comigo aonde eu for.