domingo, 19 de setembro de 2010

Meia lua deserta

Valeu ter chorado, ter esperado na porta. Valeu a chuva que tomei nos ombros e cabelos, valeu a hora da manhã em que saía da sua casa. Valeu a esperança. Valeu a lágrima, valeu o sufoco. Valeu o orgulho, a decisão. Obrigada por ter me esmagado. Quando hoje te encontro, permeia a idéia de que não faz mais sentido sentir. E de tudo o que fiz por você, de tudo o que escrevi para você, deixe-me existir em uma lembrança só nossa. Se um dia você me olhar com mais valor do que desejo, com mais saudade do que agonia, com mais verdade do que palavra, quem sabe? Agora tudo o que posso dizer é sobre a falta da lua cheia. Valeu ter chorado, lutado mesmo diante dos golpes baixos do amor. Só valeu, porque a magia, o encanto, o desejo, o doce, eu não vejo mais. Eu não quero mais.