domingo, 12 de setembro de 2010

Ironicamente casual

Alguns segundos quebrados, de minutos quaisquer das três da madrugada. Sua beleza foi tanta, que era o suficiente para me fazer esperar a noite inteira para dizer, na mais doce expressão dos meus olhos - quando os seus me invadiram a janela adentro - que é você. Sim, você, na mais perfeita arquitetura abraçada por asas angelicais, como o contorno daquela tatuagem nas costas, e a cicatriz que reparei no outro lado. Eu só estava ali, com o corpo atirado contra a parede, na postura descarada de esperar as vezes em que seus olhos se encontravam com os meus, tão tímida e profundamente que sonhei com isso - nessa noite passada e a minha vida inteira. E pensei até em voltar sempre nesse mesmo lugar. Eu posso te reconhecer se você prometer usar a mesma calça vermelha.
Ironicamente casual, você foi aquele tempero que ressuscitou a minha tão antiga esperança de se amar novamente.