segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Enquanto os meus pés praguejavam um canto - um cantinho mal romântico, a podridão daquela fonte esvaída, decadente dos milagres, clamava pela minha sombra. A praça vazia de amor, cheia de gente. Nem ecos me queriam por perto, só a minha alma gritava. A rajada da noite presenteou-me com um silêncio fétido e, eu sei, vinha da avenida. O meu perfume era um nojo, enfeitando as entranhas do corpo como se de alguma forma minha alma fosse limpa. Sabia que me era merecido pisotear aquele chão encardido e me deixar tocar pelas aves obscuras, mas, de alguma forma, todo aquele cenário de violenta conturbação me era merecido. Minha alma gritava! Ninguém ouvia. Minha alma chorava! Vocês não podem ouvir. A moralidade me atropelava ali, sobre a faixa, no farol vermelho. Prazer, marginal - acenei ao trânsito. Que porra de papel eu vim fazer aqui? Até para viver é preciso dar seta.