sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sonhos mortos (por trás da janela)

Em frente a janela revivo
Horas que comigo passaste
Arrependida de recuar do trilho
Da estrada por onde andaste
Pois vives uma vida escassa
Não páras, não andas nem corres
Pareces louvar a desgraça
Sem saber se nasces ou morres
Nasceste em meu peito lacrado
Rompeste e tiraste sangue
Fizeste o destino assombrado
Pois te vejo onde quer que eu ande
Se choro não é, com certeza
Porque me deixaste ou que tudo acabou
Nem por não achar beleza
No caminho que a vida deixou
Eu choro porque não queria
Ser só da vida tua um trago
Que tens e fumas um dia
Sem sofreres por ter acabado
Foste a mim um cigarro
Cá estou, viciada, doente
Como tenho no chão do quarto
As cinzas do coração da gente
Por trás da janela estou vendo
Teus passos curtos e tortos
Se não sabes - como me arrependo
De ter te dado os meus sonhos mortos!