domingo, 25 de julho de 2010

Você está linda hoje, sabia?

Faz tanta falta o seu quarto. Quando ler isto, você pode verificar se ainda há um pouco do meu perfume no travesseiro? Lembro que isso te agradava, finjo que o tempo não passou. A única verdade que não preciso fingir é que o tempo não levou você de mim. Nem nós.
Sinto falta da sua mão carinhosa, brincando e se escondendo em meus cabelos durante um beijo. E de todos os dias, me cortando qualquer assunto, você me chamar de amor, e como se não fosse tão repetitivo, na véspera de uma surpresa eu ouvia: "Você está linda hoje, sabia?". Bastava para me arrancar sorrisos e fazer o sol raiar na madrugada. Lampejos de alegria dominavam meus olhos. Hoje são apenas trovoadas.
Está bem, posso parar aqui e terminar de recordar o nosso amor molhando de lágrimas o travesseiro. Estas não são só palavras, mas retalhos do meu coração aberto, que como o resto do meu corpo ainda te chama. E nada de se tratar da metalinguística absurda. Finja que está lendo um bilhetinho desdobrado, com uma modesta letrinha de forma deitada para o lado (que você já conhece), dizendo: "Me faça um carinho." Sobre a metalinguagem? Se você entender a língua, já considero ótimo.
Você pode dizer se estou linda hoje de novo? Eu preciso ouvir mais uma vez.